Bom como eu cansei de transformar meu blog em diário vou começar minha campanha de crônicas.
Então eis a primeira:
O piso de telhado
As pessoas costumam pensar que o que existe de pior está presente ou provém de demônios muitas vezes mesmo não acreditando fortemente na existência deles. Os mesmo homens que acham que perdão é algo de fácil aquisição o que na verdade não se descobre quando se vai barganhar. Afinal se o homem é melhor que os demônios então porque estes não morrem? Ou será que os demônios seriam somente uma ferramenta necessária para purificar o homem?
Carlos acordou em um banco familiar, o relógio marcava meio dia, mas a noite estava sobre as ruas ao mesmo tempo em que o asfalto queimava como se fosse alimentado pelo ar. Ele não estranhou tudo aquilo, mas sentiu que deveria ir em direção a sua casa. No caminho teve a impressão de ter sonhado que estava sendo levado por uma ambulância, mas acordou no meio do caminho. Estava pouco distante de casa, mas no caminho estranhava as pessoas aos montes, pessoas que nunca tinha visto, idosas, todas aos farrapos. Parecia que a Etiópia tinha surgido ali. Chegou a sua casa, mas esta não estava como costumava estar, a pintura, o ar, tudo nela estava modificado, ele não a reconhecia, e a palavra lar estava muito distante daquilo. Mas não adiantava ficar admirando o que seria a sua entrada que inexplicavelmente estava modificada. Era preciso entrar e terminar com aquela aflição. Ele chegou calmamente e encostou a mão na maçaneta, puxou, mas esta parecia emperrada, ele forçou e forçou ate que ela abriu. Mas para sua supressa havia um abismo no qual quase despencou se não fosse pela porta. Ele fechou a porta e saiu aturdido, sentia não acreditar. Precisou sentar tomar um ar, tentar entender o que estava acontecendo. E um homem idoso se aproximou e disse:
– Tudo bem com você amigo? Parece pálido...
Carlos meio se entender olhou, mas esse continuou dizendo:
– Venha comigo esse lugar está um caos... Vou te levar para um lugar melhor.
Mas mal terminou de dizer isso e apareceu outro e fez o mesmo convite e então ambos os homens começaram a discutir. E Carlos se levantou e disse:
– Bom já que ambos dizem terem lugares para me mostra acho que não tem nenhum problema em ver ambos...
Dizendo isso a discórdia entre os dois homens terminou e Carlos teve a impressão de ter saído uma faísca do brilho do olhar de ambos. Seguiram então e a poucos metros eles chegaram a algo que misteriosamente chamou a atenção de Carlos. Embora os homens relutassem sobre a decisão dele de ir ver tudo, mas não conseguiram. Tudo chamava a atenção de Carlos, coisas que ele desejava, desejou e deseja ate mesmo coisas que o gostava, mas tinha enjoado. Tudo a amostra mesmo sabendo que não teria como adquirir ele não conseguiu segurar seu impulso. Chegando próximo ele viu os modelos de carros que sempre desejou. E para sua surpresa havia seu nome por toda parte, como se estivesse sendo esperado. E as atendentes foram ate ele e o mandaram que escolhe-se o modelo que quisesse. Ele ia ate o vidro olhava por alto tentava escolher um que mais lhe agradasse. Então viu um modelo reluzente no centro. E disse:
– É aquele!
Uma mulher o levou ate a entrada e abrindo a porta e disse:
– E todo seu... Pode experimentar.
Mas entrando no carro ele sentiu-se mal, sentiu todo o tempo gasto para compensá-lo, toda a ausência, briga e preocupações por causa dele lhe remoerem da nuca aos pés. Havia durado alguns instantes, mas ele sentiu como se anos de desgosto tivessem atravessado seu humor. Ele saiu cambaleando do carro se desvencilhando das atendentes e indo em direção a saída. Os dois homens o ampararam e o levaram para se sentar. Seu cabelo estava desfeito, estava suado e aos trapos, parecido que tinha entrado numa guerra. E aquela má impressão o remoia por dentro. Sentiu uma sede em sua garganta um desejo de tomar algo de fazer com que algo tirasse aquele gosto insuportável de seu interior. Foi quando ele reparou para a loja de bebidas no final da galeria. Como se ela tivesse surgido como prêmio se destacando no corredor sendo o único lugar iluminado. Então correu ate ela e viu as pessoas se servindo. Com a sede que estava chegou e encheu um copo bem grande, mas quando foi tomar sentiu que aquela cerveja que descia em sua garganta trazia todos os males que indiretamente ela causava. Sentiu-se sufocar, se sentiu sem ar, se contorceu. E toda a água ardia em chamas e todo o lugar foi desmanchando. E a galeria que era uma galeria se transformou numa grande fornalha com uma piscina de fogo. Ele sentia que ia morrer de sede, queria tomar algo e dizia.
– Água? Agua? Água?
Mas um dos homens disse:
– O único jeito de chegar à água e se jogando na fornalha! Vá não tenha medo ela é apenas ilusória!
Mas o outro homem que estava ao seu lado segurou no seu ombro e perguntou:
– Mas você vai acreditar na palavra de um demônio?
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