quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O piso de telhado


Bom como eu cansei de transformar meu blog em diário vou começar minha campanha de crônicas.
Então eis a primeira:

O piso de telhado

As pessoas costumam pensar que o que existe de pior está presente ou provém de demônios muitas vezes mesmo não acreditando fortemente na existência deles. Os mesmo homens que acham que perdão é algo de fácil aquisição o que na verdade não se descobre quando se vai barganhar. Afinal se o homem é melhor que os demônios então porque estes não morrem? Ou será que os demônios seriam somente uma ferramenta necessária para purificar o homem?
Carlos acordou em um banco familiar, o relógio marcava meio dia, mas a noite estava sobre as ruas ao mesmo tempo em que o asfalto queimava como se fosse alimentado pelo ar. Ele não estranhou tudo aquilo, mas sentiu que deveria ir em direção a sua casa. No caminho teve a impressão de ter sonhado que estava sendo levado por uma ambulância, mas acordou no meio do caminho. Estava pouco distante de casa, mas no caminho estranhava as pessoas aos montes, pessoas que nunca tinha visto, idosas, todas aos farrapos. Parecia que a Etiópia tinha surgido ali. Chegou a sua casa, mas esta não estava como costumava estar, a pintura, o ar, tudo nela estava modificado, ele não a reconhecia, e a palavra lar estava muito distante daquilo. Mas não adiantava ficar admirando o que seria a sua entrada que inexplicavelmente estava modificada. Era preciso entrar e terminar com aquela aflição. Ele chegou calmamente e encostou a mão na maçaneta, puxou, mas esta parecia emperrada, ele forçou e forçou ate que ela abriu. Mas para sua supressa havia um abismo no qual quase despencou se não fosse pela porta. Ele fechou a porta e saiu aturdido, sentia não acreditar. Precisou sentar tomar um ar, tentar entender o que estava acontecendo. E um homem idoso se aproximou e disse:
– Tudo bem com você amigo? Parece pálido...
Carlos meio se entender olhou, mas esse continuou dizendo:
– Venha comigo esse lugar está um caos... Vou te levar para um lugar melhor.
Mas mal terminou de dizer isso e apareceu outro e fez o mesmo convite e então ambos os homens começaram a discutir. E Carlos se levantou e disse:
– Bom já que ambos dizem terem lugares para me mostra acho que não tem nenhum problema em ver ambos...
Dizendo isso a discórdia entre os dois homens terminou e Carlos teve a impressão de ter saído uma faísca do brilho do olhar de ambos. Seguiram então e a poucos metros eles chegaram a algo que misteriosamente chamou a atenção de Carlos. Embora os homens relutassem sobre a decisão dele de ir ver tudo, mas não conseguiram. Tudo chamava a atenção de Carlos, coisas que ele desejava, desejou e deseja ate mesmo coisas que o gostava, mas tinha enjoado. Tudo a amostra mesmo sabendo que não teria como adquirir ele não conseguiu segurar seu impulso. Chegando próximo ele viu os modelos de carros que sempre desejou. E para sua surpresa havia seu nome por toda parte, como se estivesse sendo esperado. E as atendentes foram ate ele e o mandaram que escolhe-se o modelo que quisesse. Ele ia ate o vidro olhava por alto tentava escolher um que mais lhe agradasse. Então viu um modelo reluzente no centro. E disse:
– É aquele!
Uma mulher o levou ate a entrada e abrindo a porta e disse:
– E todo seu... Pode experimentar.
Mas entrando no carro ele sentiu-se mal, sentiu todo o tempo gasto para compensá-lo, toda a ausência, briga e preocupações por causa dele lhe remoerem da nuca aos pés. Havia durado alguns instantes, mas ele sentiu como se anos de desgosto tivessem atravessado seu humor. Ele saiu cambaleando do carro se desvencilhando das atendentes e indo em direção a saída. Os dois homens o ampararam e o levaram para se sentar. Seu cabelo estava desfeito, estava suado e aos trapos, parecido que tinha entrado numa guerra. E aquela má impressão o remoia por dentro. Sentiu uma sede em sua garganta um desejo de tomar algo de fazer com que algo tirasse aquele gosto insuportável de seu interior. Foi quando ele reparou para a loja de bebidas no final da galeria. Como se ela tivesse surgido como prêmio se destacando no corredor sendo o único lugar iluminado. Então correu ate ela e viu as pessoas se servindo. Com a sede que estava chegou e encheu um copo bem grande, mas quando foi tomar sentiu que aquela cerveja que descia em sua garganta trazia todos os males que indiretamente ela causava. Sentiu-se sufocar, se sentiu sem ar, se contorceu. E toda a água ardia em chamas e todo o lugar foi desmanchando. E a galeria que era uma galeria se transformou numa grande fornalha com uma piscina de fogo. Ele sentia que ia morrer de sede, queria tomar algo e dizia.
– Água? Agua? Água?
Mas um dos homens disse:
– O único jeito de chegar à água e se jogando na fornalha! Vá não tenha medo ela é apenas ilusória!
Mas o outro homem que estava ao seu lado segurou no seu ombro e perguntou:
– Mas você vai acreditar na palavra de um demônio?

sábado, 10 de maio de 2008

Cansei!

Já chegou a indignação? Primeiramente né, um belo sábado, todo mundo que sair, e você pensa: Ah por quê não? O problema de sair aqui, é que você esta em casa quer sair, você sai que voltar pra casa. E tendo festa em São Gonçalo, festa em Varginha em Campanha. Por que diabos eu tenho que ficar aqui nessa cidade horrorosa e maldita? Bem que eu queria ir pra casa ficar lendo, seria muito mais lucro. Mais não eu prefiro ser burro e fuder o meu final de semana saindo pra ver dementes acharem que beber pra raio e legal, ou então que arrumar briga e o maximo ou então ver meninas de doze anos querendo pegar tudo e todos. Aff.,. Quer saber eu estou velho! Sim eu estou velho. Porque eu já tenho mais de vinte anos e me preocupo com o futuro, e olho e me lembro que quando tinha quinze olhava pra galera mais velha e pensava. Putiz não quero ser assim! O problema e que não sou como eles, mas todos a minha volta são! Pela mor... Eu devo ser estranho, extraterreste ou deve ter algo muito errado comigo biologicamente. Eu me sinto estranho! Eu sei que muita gente se familiariza com esse sentimento... Ah! Mas vou te falar viu, parece que a cada geração fica pior... Creu num devia ser creu devia ser CREDO!

Reviver poderia ser muito mais do que lembrar.















Nostalgia pra mim é a palavra pseudo-intelectual para saudade de um certo tempo. É que andei meio assim sempre, me lembro da infância quando eu, Rogério e a Valéria, com os quais nem tenho contato mais, esse povo muda pra Brasília e quando eles vêm eu não estou pra recebê-los, coisas assim acontecem pra gente não se perdoar...

Quando a gente era criança, morava na mesma rua, quando a gente mudou, nós mudamos pra mesma cidade. Quando a gente ia pra escola juntos ninguém queria levar a gente, quando a gente se reunia no play do prédio alguém do grupo tinha que vigiar. E todo dia parecia que aparecia mais um pra completar o time. Morávamos eu e mais uma creche no prédio perto da Unincor, no prédio cujo meu quarto tinha um papel de parede cheio de estrelas, e quando eu tava triste me mandavam pro quarto e apagavam a luz. E eu achava o máximo ficar vendo aquilo. Estrelas no teto todo, e na janela quando se olhava pra ela. Por que o céu de minas e um dos melhores que já vi, mas a saudade não e disso... A saudade era da tranqüilidade que tinha sair da escola a tarde andar pelo Jardim America e ver a cor do céu vermelho, pra quem faz pintura a óleo seria um tom quase de Vermelho Chinês. Pôr do sol tava ali pra lembra que se tinha acabado mais um dia, e pra lembrar de pensar num momento de contemplar e de como tinha sido bonito o dia. Como o verde se misturava a luz e sombra e aquele calor que somente o sol do final de tarde tem de aquecer a sua pele quase que com ternura... As tardes, eu me lembro que tudo que eu queria fazer era fazer faculdade ali perto de casa. Onde tudo é confortável, cômodo éetranqüilo. De onde eu sei mais do que de cor o caminho de ida e de volta, mas isso foi antes de eu me mudar. Mudar-me pra amaldiçoar tudo e todos, mas agora que eu voltei, parece que retiram tudo. E eu ainda estou procurando aquela paz que tinha de voltar do colégio. Ainda estou procurando aquela tarde de quase todo dia conhecer gente que eu não conhecia. Uma menina, outra e outra, e umas se iam outras viam, aquelas tardes de se brincar na rua nas arvores... Afinal que não sente saudade da infância. Por que acho que se existe um céu é realmente na infância. Eu ainda vou procurar onde foi parar toda aquela vida alegria. Aquele cheiro de perfume, aquela energia, aquele amor todo que eu tinha pela vida. Na época em que eu não me arrependia de nada. Porque eu voltei pra casa, só que eu não reconheço e nem me familiarizo mais com nada. E os tão sonhados corredores que eu queria freqüentar. Deles hoje tenho medo. E parece que toda a meu desejo e idealização estão vagando perdidos. E junto com eles estão a falta que as minhas amigas fazem nos finais de semana, que era sempre bom ter um filme a menos que eu não ia mais precisar ver, ou então conversas as quais eu iria esquecer, mas que a Aninha com certeza, quando eu menos esperar ira me lembrar. Ou aquela preocupação de acorda cedo pra ir na casa da Daliane, não esquecendo de tentar convencer os pais dela que eu não como mais do que cinco pratos nem por decreto. Alias das três que mais sinto falta. De tudo e todos, que me fazem falta e nessas horas que eu tenho vontade de deixar minha conta de telefone mais cara.
Afinal o que é da vida sem a saudade?